Tarifa branca

A tarifa branca é uma modalidade opcional em que o preço do kWh muda conforme o horário: é mais barato fora de ponta (a maior parte do dia, a madrugada e os fins de semana) e bem mais caro no horário de ponta, em geral três horas no fim da tarde e início da noite dos dias úteis. Ela vale a pena para quem consegue concentrar o consumo fora desse horário, por exemplo, banho e recarga de veículo elétrico depois das 22h. Para quem usa muito chuveiro e ar-condicionado no começo da noite, pode sair mais cara que a tarifa convencional.

Como funcionam os horários

Posto tarifárioQuandoPreço do kWh
Ponta3 horas consecutivas nos dias úteis, definidas pela distribuidora (por exemplo, 18h às 21h)O mais alto
Intermediário1 hora antes e 1 hora depois da ponta (no exemplo, 17h às 18h e 21h às 22h)Intermediário
Fora de pontaTodas as demais horas dos dias úteis, mais sábados, domingos e feriados nacionais inteirosO mais baixo, abaixo da tarifa convencional

Os horários exatos variam por distribuidora e podem mudar no horário de verão, quando houver. Consulte o site ou o aplicativo da sua distribuidora.

Quem pode aderir

Podem optar os consumidores atendidos em baixa tensão (grupo B), como residências e pequenos comércios. Ficam de fora, pelas regras da Aneel, os consumidores beneficiários da tarifa social (subclasse baixa renda) e a iluminação pública.

Para aderir, você pede à distribuidora, que troca o medidor por um modelo capaz de registrar o consumo por horário, sem custo para o consumidor na troca padrão. É possível voltar para a convencional, mas a distribuidora pode exigir um prazo para uma nova adesão.

Como calcular se vale a pena

A conta é feita com o seu consumo dividido entre os postos e as tarifas da sua distribuidora.

Custo na tarifa branca = kWh na ponta × tarifa ponta + kWh no intermediário × tarifa intermediária + kWh fora de ponta × tarifa fora de ponta

Compare com: Custo na convencional = kWh total × tarifa convencional

Exemplo com tarifas fictícias

Tarifas de exemplo (com impostos, apenas para ilustrar a proporção): convencional R$ 0,95; fora de ponta R$ 0,78; intermediário R$ 1,15; ponta R$ 1,75. Consumo de 250 kWh por mês.

PerfilPontaIntermediárioFora de pontaTarifa brancaConvencionalResultado
Banho e ar-condicionado às 19h20% (50 kWh)10% (25 kWh)70% (175 kWh)R$ 252,75R$ 237,50Paga R$ 15,25 a mais
Hábitos deslocados8% (20 kWh)7% (17,5 kWh)85% (212,5 kWh)R$ 220,88R$ 237,50Economiza R$ 16,62

Com essas tarifas de exemplo, o ponto de equilíbrio fica perto de 78% a 80% do consumo fora de ponta, dependendo de quanto vai para o intermediário. Faça a conta com os valores reais da sua distribuidora, que estão no site dela e na resolução tarifária publicada pela Aneel.

Quem costuma se beneficiar

  • Quem tem veículo elétrico e carrega à noite ou de madrugada. A recarga pode representar boa parte do consumo e cair toda no fora de ponta. Veja quanto custa carregar um carro elétrico e quanto custa carregar uma moto elétrica.
  • Quem passa o dia fora e usa pouca energia no começo da noite, ou trabalha em casa durante o dia.
  • Quem pode programar aparelhos: máquina de lavar, lava-louças, secadora, bomba de piscina.
  • Casas com aquecimento solar ou a gás, em que o chuveiro elétrico não pesa no horário de pico.

Quem costuma perder

  • Famílias que tomam banho de chuveiro elétrico entre 18h e 21h: é o maior consumo concentrado na ponta.
  • Quem usa ar-condicionado no início da noite e não pode mudar o horário.
  • Quem não consegue mudar a rotina.

Como medir seu perfil antes de aderir

  1. Liste os grandes consumos e o horário de uso de cada um: chuveiro, ar-condicionado, forno, secadora.
  2. Estime os kWh de cada um com a calculadora de consumo de energia ou os guias do hub de consumo de energia.
  3. Some quanto cai em cada posto e aplique as tarifas da sua distribuidora.
  4. Considere apenas o que você realmente vai mudar, não o ideal.

Dica: comece mudando os hábitos ainda na tarifa convencional por um mês. Se você conseguir deslocar o banho e os aparelhos programáveis sem sofrimento, a migração tende a compensar.

Para entender o restante da fatura, veja como ler a conta de luz e bandeira tarifária, que também se aplica a quem está na tarifa branca.

Perguntas frequentes

A tarifa branca vale nos fins de semana?

Sim, e é a melhor parte: sábados, domingos e feriados nacionais são considerados fora de ponta o dia inteiro, com a tarifa mais baixa.

A troca de medidor para tarifa branca é paga?

Na adesão, a troca do medidor é feita pela distribuidora sem custo para o consumidor, conforme as regras da Aneel. Confira as condições com a sua distribuidora.

Posso voltar para a tarifa convencional?

Sim, basta pedir à distribuidora. Pode haver um prazo mínimo antes de aderir novamente à tarifa branca.