Como ler a conta de luz

Para ler a conta de luz, comece por três números: o consumo do mês em kWh, o valor total e o histórico dos últimos meses. Dividindo o total (sem a iluminação pública) pelo consumo, você descobre quanto paga de fato por kWh. O restante da fatura explica de onde vem esse valor: tarifa de energia e de distribuição, bandeira tarifária, impostos e eventuais cobranças extras.

O layout muda de uma distribuidora para outra, mas a Aneel exige que as informações essenciais estejam presentes em todas.

1. Identificação

  • Número da instalação ou unidade consumidora (UC): identifica o seu ponto de ligação. É o número pedido no atendimento, no aplicativo e para pedir tarifa social.
  • Classe e subclasse: residencial, rural, comercial etc. A maioria das casas é "Residencial, grupo B, subgrupo B1".
  • Tipo de ligação: monofásica, bifásica ou trifásica. Define o custo de disponibilidade.
  • Modalidade tarifária: convencional ou tarifa branca.

2. Leitura e consumo

CampoO que significa
Leitura anterior e atualNúmeros registrados no medidor em cada visita
Constante do medidorMultiplicador; em casas, normalmente 1
Consumo (kWh)Leitura atual − leitura anterior, × constante
Dias de faturamentoQuantidade de dias entre as leituras (em geral 28 a 33)
Próxima leituraData prevista da próxima visita

Se o ciclo tiver mais dias que o anterior, o consumo pode subir mesmo sem mudança de hábitos. Para comparar meses, divida o consumo pelos dias: é a média diária. Para conferir a leitura você mesmo, veja como ler o medidor de energia.

3. Tarifas: TE e TUSD

A tarifa residencial é dividida em duas partes, ambas em R$/kWh:

  • TE (tarifa de energia): paga a geração da energia.
  • TUSD (tarifa de uso do sistema de distribuição): paga o transporte e a distribuição pela rede da distribuidora.

Muitas contas mostram as duas tarifas sem impostos e com impostos. A soma é o preço do kWh antes ou depois dos tributos. Para entender a composição, veja o que é TUSD e TE.

4. Bandeira tarifária

Aparece como linha própria ou somada à tarifa, indicando verde, amarela ou vermelha e o valor cobrado. Se o ciclo pegar dois meses, pode haver duas bandeiras proporcionais. Veja os valores em bandeira tarifária.

5. Tributos

  • ICMS: imposto estadual; a alíquota varia por estado.
  • PIS e Cofins: tributos federais, com percentuais que variam mês a mês.

Eles incidem "por dentro", ou seja, fazem parte da base de cálculo deles mesmos. Por isso, o peso real é maior do que a soma das alíquotas sugere. Detalhes em ICMS e impostos na conta de luz.

6. Outros itens da conta

  • Contribuição de iluminação pública (CIP ou Cosip): cobrada pelo município, com valor definido por lei municipal. Não é tarifa de energia.
  • Custo de disponibilidade: valor mínimo cobrado mesmo com consumo baixo, equivalente a 30 kWh (monofásica), 50 kWh (bifásica) ou 100 kWh (trifásica).
  • Multa e juros: referentes a atraso de contas anteriores.
  • Créditos de geração distribuída: para quem tem energia solar, aparecem a energia injetada, a compensada e o saldo de créditos.
  • Serviços cobrados à parte: seguros ou doações só podem ser cobrados com autorização do consumidor.

7. Histórico e indicadores

  • Histórico de consumo: gráfico ou tabela dos últimos 12 meses. É a melhor forma de perceber aumentos fora do normal.
  • Indicadores de qualidade (DIC, FIC, DMIC): mostram duração e frequência de interrupções no fornecimento, comparadas com as metas. Se a distribuidora ultrapassar os limites, pode haver compensação na fatura.

Exemplo: como descobrir o preço real do kWh

Imagine uma conta com consumo de 180 kWh, total de R$ 190,00, dos quais R$ 15,00 são iluminação pública.

Preço efetivo do kWh = (190 − 15) ÷ 180 = R$ 0,97 por kWh

Esse é o número que você deve usar na calculadora de consumo de energia. Mais detalhes em quanto custa o kWh.

Quando desconfiar da conta

  1. Consumo muito acima do histórico sem mudança de hábitos ou aparelhos.
  2. Leitura estimada (aparece indicado na conta) por vários meses seguidos.
  3. Dias de faturamento muito maiores que o normal.
  4. Leitura da conta diferente da do medidor.

Nesses casos, fotografe o medidor, compare com a conta e procure a distribuidora. Se não resolver, registre reclamação na ouvidoria da distribuidora e, depois, na Aneel. Também vale testar se há fuga de energia, como explicado no guia do medidor.

Atenção: nunca mexa no medidor ou no padrão de entrada. Além do risco de choque, é proibido e pode gerar cobrança de irregularidade.

Para outros guias de tarifas e consumo, veja o hub de consumo de energia.

Perguntas frequentes

Por que minha conta veio alta se gastei o mesmo?

As causas mais comuns são ciclo de leitura com mais dias, bandeira tarifária mais cara, reajuste anual da distribuidora ou leitura estimada no mês anterior. Compare a média diária de consumo e as tarifas com a conta anterior.

O que é leitura estimada?

Quando o leiturista não consegue acessar o medidor, a distribuidora cobra uma média do histórico. A diferença é acertada na próxima leitura real, o que pode gerar uma conta mais alta depois.

A taxa de iluminação pública pode ser contestada com a distribuidora?

A distribuidora apenas arrecada a contribuição para o município. Dúvidas sobre o valor devem ser tratadas com a prefeitura, conforme a lei municipal.